Um pai muito sério. Inteligente, mas poderia ser esperto. Há esta diferença entre esperto e inteligência e um exemplo clássico é o personagem do Chicó, aquele do Alto da Compadecida. Era burro, porém, esperto. O pai sabia desenhar muito bem, além de ser um bom compositor, além de cantar muito bem. Sua voz confundia com a do Renato Russo, quando ele queria, é claro. Era atualizado, informado. Mas não soube aproveitar os dons que Deus lhe deu.
Algumas diversas vezes, o pai saía com o nosso personagem. Durante estas viagens o pai ensinou várias coisas ao filho. Apesar de não poder pagar uma escola particular para seus descendentes, ele incentivava-os a estudar. Bem, no decorrer do tempo, o incentivo não funcionou muito bem. Com muito custo e pressão, ou vontade de terminar logo o ensino médio, foi que sua filharada terminou os estudos, apenas uma continua estudando e repetindo a performance dos irmãos.
Mas o incentivo não faltava. Até aula de inglês o pai ministrou aos filhos, mesmo tendo estudado só até a 7ª série. Engraçado, mas ele inventou isto. Quando o pai estava de bom humor, o clima era sempre de alegria, com muita música. Trio Bolinha, Jorge Ben (Jor), Jackson Five ou só o Michael Jackson. Final de semana eram dias divertidos. Mas meu caro, a vida nem sempre é um mar de rosas...
Continua...
Jornalista
quarta-feira, 4 de agosto de 2010
terça-feira, 3 de agosto de 2010
Parte II
Ele nunca foi um menino nota 10 ou A como são classificadas as notas nas escolas de São Paulo. Aliás, o personagem da história nasceu em Sampa, no município de Guarulhos. Hoje o hospital nem existe mais. O local da última vez que foi vista estava só o mato. Pois é, este menino era um aluno mediano. Destes que passa com a metade da nota e acha que é o Einstein.
Sua família era grande (e continua). Na mesma casa moravam sete pessoas: cinco mulheres e dois homens. Ele e seu pai. Apesar de ter vários primos e brincar muito com eles, nosso protagonista sentia a falta de um irmão. Sua vida se confunde com a de muitos brasileiros. Seu pai trabalhou em vários lugares e em diversas funções até se encontrar profissionalmente. Hoje ele é motorista de caminhão!!
Mas enquanto desempenhou outras atividades, o pai sustentava, ou tentava sustentar de alguma maneira. Era engraçado que quando não tinha dinheiro para comprar pão, o pai esquentava o caldo do feijão e dava às crianças alegando que aquilo era mais forte do que pão. O problema era quando não tinha nem o caldo. A falta de alimentos era uma coisa não muito corriqueira, mas de vez em quando acontecia.
Continua...
Sua família era grande (e continua). Na mesma casa moravam sete pessoas: cinco mulheres e dois homens. Ele e seu pai. Apesar de ter vários primos e brincar muito com eles, nosso protagonista sentia a falta de um irmão. Sua vida se confunde com a de muitos brasileiros. Seu pai trabalhou em vários lugares e em diversas funções até se encontrar profissionalmente. Hoje ele é motorista de caminhão!!
Mas enquanto desempenhou outras atividades, o pai sustentava, ou tentava sustentar de alguma maneira. Era engraçado que quando não tinha dinheiro para comprar pão, o pai esquentava o caldo do feijão e dava às crianças alegando que aquilo era mais forte do que pão. O problema era quando não tinha nem o caldo. A falta de alimentos era uma coisa não muito corriqueira, mas de vez em quando acontecia.
Continua...
segunda-feira, 2 de agosto de 2010
20 anos depois
Há 26 anos nascia um menino pardo (classificação antiga que davam às crianças que nasciam sem cor definida...rsrs). Seu pai colocou seu nome de Elton - isto mesmo, mais uma homenagem a cantor famoso. Hoje ele escuta algumas brincadeirinhas em relação a opção sexual do cantor cujo nome seu pai se inspirou na hora de lhe carimbar no cartório.
Pobre, nunca teve o que queria. Certa vez pediu ao seu pai um campo de futebol de botão. Seu pai fez um campinho com um pedaço de madeira que era usado para bloquear a passagem do seu cachorrinho de extimação, cheio de carrapatos, que também eram de extimação, para seu quarto, que por sinal, era o quarto de todo mundo. Não era nada do que ele queria, porém, ele brincava assim mesmo.
Na rua, aliás, era o local que ele sempre gostou de ficar, afinal, ele era uma criança muito saudável. Era na rua que extravasava sua energia. Gostava de jogar bola, andar de bicicleta, ver os amigos empinar pipa (porque ele mesmo não a empinava), rodar peão, brincar de corrida de palitos nas águas que corriam pelas beiradas das ruas logo depois da chuva. Enfim, ele se divertia.
Continua...
Pobre, nunca teve o que queria. Certa vez pediu ao seu pai um campo de futebol de botão. Seu pai fez um campinho com um pedaço de madeira que era usado para bloquear a passagem do seu cachorrinho de extimação, cheio de carrapatos, que também eram de extimação, para seu quarto, que por sinal, era o quarto de todo mundo. Não era nada do que ele queria, porém, ele brincava assim mesmo.
Na rua, aliás, era o local que ele sempre gostou de ficar, afinal, ele era uma criança muito saudável. Era na rua que extravasava sua energia. Gostava de jogar bola, andar de bicicleta, ver os amigos empinar pipa (porque ele mesmo não a empinava), rodar peão, brincar de corrida de palitos nas águas que corriam pelas beiradas das ruas logo depois da chuva. Enfim, ele se divertia.
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terça-feira, 27 de julho de 2010
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